04/10/2010

Crônica de um interior despedaçado


Título do livro, o melhor, talvez, o que nunca escreveria e por isso era tão bom. Como amor não vivido, o lugar desconhecido jamais visitado, por isso sempre lembrado e o poderia ter sido, poderia ter sido o melhor. Vinte sete crônicas sobre dores crônicas, e vida comum, tão comum que doía quase quanto vida mesmo, quase o mesmo peso, o resto era interior, não apenas dentro, mas dentro e fora, aos pedaços, ruas cobertas de mato e cacos de telhas cobertas de limo e areia cinza empelotada, sofá de couro mofado rasgado pelas molas petrificadas e duras, como é dura a resistência das coisas estragadas no abandono daquele porão, apesar da fome dos ratos,  formigas, ferrugem. 

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