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17/05/2011

Rapidinhas aleatórias

Depois de duas horas sozinho com duas mulheres numa mesa de bar, não estranhe se sentir necessidade de pedir desculpas por não ter um útero. 


Por um lado você é ingênuo se elabora frases com expressões como “nunca me senti assim”, “você é especial”, “confiança”, “planos” e “futuro”; por outro, você é só mais um careta ciumento se não se sente bem quando ela diz que vai sair pra tomar vinho com um amigo. 


As coisas estão cada vez mais complicadas pra aquele romântico maroto, romântico de várzea, romântico raiz. Aceite.


Quando você fala com uma mulher que tem namorado, instintivamente veste a máscara do sujeito utópico, e quando ela abre uma brecha ao apontar alguma carência do namoro ou do próprio namorado, imediatamente você identifica todos os defeitos e encontra todas as soluções, usa aquele discurso de mestre zen de cem anos, psicanalista supra-crítico, antropólogo social apartado do mundo e sua infalível visão privilegiada sobre o universo dos meros mortais. Na prática, claro, você é só mais um menino mimado que aprendeu a amarrar os cadarços com o Fofão. 

Nada pior que bons discursos e maus hábitos. 


Deve ser culpa da vibe darwinismo oba-oba, mas não se assuste se ouvir o argumento biológico como premissa a canalhice. 


Quem tem necessidade de solidão não fica falando que gosta de solidão, seria como um peixe dizer que adora água. 


Não confie em artistas de fim de semana.

13/04/2011

reconhecer

E fico pensando na beleza dessa palavra: reconhecer. Não só no sentido de conhecer de novo, ou voltar a conhecer. Li, ouvi, não lembro onde, que todo processo de conhecimento é um processo de reconhecimento; e isso faz tanto sentido, não? aquilo que nos escapa totalmente ao entendimento, foge totalmente ao perceber.

O totalmente estranho nos cega.

Há sempre uma face já conhecida em qualquer novidade, talvez, nós mesmos, essa outra ponta do processo projetando o foco do olhar na paisagem, oferecendo a mão ao toque, o ouvido a voz, o braço ao abraço.

Reconhecer é também explorar.

Quando liga a noite, assim sem avisar, e já reconheço a musiquinha do aparelho vibrando ali do lado, e mesmo sabendo que é ela que vai dizer alô, quando ela diz de verdade alô; reconhecer é admitir como bom; certificar como verdadeiro,  legítimo; reconhecer é encontro.

E não é por pouca coisa que reconhecer também é agradecer.

Reconhecer, afinal, é confessar.